34º Festival de Almada | Dança de movimento puro abre janela para mundo diferente

Published On Julho 19, 2017 » 314 Views» Agenda, Cultura, Destaques, Últimas

Um espetáculo “extraordinariamente físico” foi a promessa deixada ao público sobre Neverland, no programa do 34º Festival de Almada. Com a descrição de um “lugar desconhecido , onde a destruição e a força se sobrepõem à razão”, pois “a velha ordem já não existe e o curso da História parece ter invertido a marcha”. Um lugar onde impera um caos primitivo, onde tudo é visto e sentido pela primeira vez.

Neverland é um exercício da alma refletido em cada espaço do corpo, onde a voracidade da dança é como uma conversa, que nos alerta para a necessidade que temos uns dos outros e de proteger a nossa casa – Terra. Num mundo surrealista onde a suposta fantasia é, nada menos que, uma abordagem à sociedade da competitiva, o espetáculo leva-nos para dimensões onde despertamos todos os nossos níveis sensoriais.

No caos Neverland apresenta a cadência perfeita do corpo, em movimentos de ballet e contemporânea, que se enchem através dos sons da natureza. Em tom crescendo, os bailarinos interpretam um movimento cadente, perfeito, entre o corpo e o som. Primeiro muito primitivo, com sons raros e espaçados. Depois, em crescente aceleração, à medida que a dança, frenética, abraça os bailarinos.

Solos, cuja força da suavidade é desconcertante e coletivos de vibração intensa. Assim é a performance da israelita Kamea Dance Company, que deixou a sua marca no festival, num momento de beleza crua, em palco na Escola D. António da Costa. E, para além da arte, na intervenção social, com a presença de um movimento pró-Palestina, às portas da escola, a questionar o porquê da presença israelita no festival. Unido dois mundos que sempre encontram um modo de interligar-se: arte e política.

Ana Martins Ventura
O Seixalense/ZoomOnline

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