34º Festival de Almada | Festival de Almada encerra com promessa de “Rumor e Alvoradas” para 2018

Published On Julho 21, 2017 » 402 Views» Agenda, Cultura, Destaques, Últimas

No “Sonho de Uma Noite de Verão” foi como Almada se despediu da 34ª edição do seu festival de teatro, cujo reconhecimento já percorre outras cidades da cultura, como Madrid, Santiago de Compostela, Paris, Avignon e Bruxelas. Antes do último descer do pano foram apresentados os vencedores do prémio Carlos Porto, atribuído à imprensa generalista e especializada, que se dedica à cobertura e crítica sobre o festival.

Gonçalo Frota, jornalista do Público foi galardoado com o Grande Prémio Carlos Porto, pelos textos produzidos em 2016 sobre o Festival de Almada. O Prémio Imprensa Generalista foi atribuído a António Marges, pelos textos publicados no jornal sesimbrense Raio de Luz. Uma conquista da imprensa regional, a concurso com os media de amplitude nacional.

Na Imprensa Especializada o Prémio Carlos Porto foi atribuído a Osvaldo Obregón, pelo texto publicado na Revista ADE, a representar o alcance deste evento além de Portugal.

De 4 a 18 de Julho passaram pelos palcos de Almada e Lisboa 45 espetáculos, entre peças de teatro, concertos, debates, exposições e espetáculos de dança, vistos por mais de 5 mil pessoas em 10 salas de espetáculo, diferentes, desde as mais convencionais, às salas estúdio, esplanadas e a um anfiteatro ao ar livre.

Antes da derradeira despedida, Rodrigo Francisco, diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada revelou que, “em 2018, regressa Rumor e Alvoradas. A peça que, após a votação do público venceu como primeira escolha, seguida de “Ricardo III está proibido e Golem”.

Seria muito difícil o exigente público do Festival de Almada ficar indiferente ao desafio de Rumor e Alvoradas. E escolhendo que, mesmo no fim há sempre uma alternativa para recomeçar ou reconstruir, tal como nos passa a mensagem desta peça da Raoul Collectiff, o público decidiu dar os primeiros passos para o plano de 2018, quem sabe, para um teatro de “Rumor e Alvorada”, que exige mais participação do público na construção constante da obra e cada nova apresentação e menos passividade.

Ao teatro! Durante um Sonho de Uma Noite de Verão

A peça apresentada pela Voadora, companhia de teatro de Santiago de Compostela, com um texto de Marco Layera e encenação de Marta Pazos, “Sueño de una noche de Verano” – no original – encerrou o 34º Festival de Almada em livre adaptação do amor impossível shakespeariano, vivido dentro dos cânones da sociedade atual, onde o parecer começa a ser desconstruído e o, simplesmente ser, cada vez mais valorizado. Mas, ainda assim, uma mudança à qual a sociedade ainda é resistente, adiando continuamente o momento de deixar cair o físico e material para valorizar aquilo que é espiritual.
Canône é, talvez, a palavra certa para a abordagem desta peça nada convencional, que brilha entre a paródia e o drama, pelo modo como apresenta os problemas mais pueris que os casais enfrentam a cada dia, até aos mais complexos despertados por contextos «fora da caixa».
Em “Sueño de una noche de Verano” existe uma reconstrução do que é a imagem “casal”, “relação” e “família”. Uma nova perspetiva sobre qual é o conceito de uma família e do amor, que deixa de ser regulada pela aceitação da sociedade, para assumir uma forma livre de preconceitos e ideias pré-concebidas sobre o físico de cada um, certo ou errado, positivo ou negativo, feminino ou masculino.

Ana Martins Ventura

O Seixalense/ZoomOnline

Share this post
Tags

Comments are closed.