Alferes Francisco Pinto Vidigal: o setubalense que morreu há 100 anos na Batalha de La Lys

Publicado a Abril 9, 2018 » 471 Views» Cultura, Destaques, Sociedade, Últimas

Há 100 anos, a 9 de Abril de 1918, o Corpo Expedicionário de Português passava pelo seu momento mais trágico no vale da ribeira de La Lys. Com o propósito de prestar homenagem a Alferes Francisco Pinto Vidigal, o único setubalense que morreu neste fatídico dia, Diogo Ferreira, historiador setubalense, e jovem investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, realizou uma investigação para a sua dissertação de mestrado em História Contemporânea recentemente publicada de forma a trazer de volta a sua memória. O ataque alemão provocou a morte a centenas de militares e a prisão a alguns milhares de portugueses.

“O Alferes Francisco Pinto Vidigal é um combatente da Grande Guerra que parece estar esquecido na memória setubalense. Hoje, 100 anos depois da Batalha de La Lys, há que relembrá-lo”, refere Diogo Ferreira, historiador setubalense, mencionando a importância que é manter viva a memória deste homem que morreu em La Lys. “Perdeu a vida a lutar pela pátria e esta homenagem, este acto de o relembrar, é o mínimo que podemos fazer”, acrescenta.

Filho do tipógrafo Romão Vidigal e de Januária de Assunção Correia Pinto, Francisco Pinto Vidigal nasceu a 20 de Abril de 1883 na freguesia de São Sebastião do concelho de Setúbal. Casou com Sílvia da Luz Silva Sanches, filha de Joaquim da Silva Sanches e Maria da Luz da Silva Sanches, em Novembro de 1901, um matrimónio que resultou no nascimento de dois filhos: José Vidigal (19 de Março de 1902) e Maria Irene (26 de Março de 1912). Até assentar como praça no Regimento de Infantaria nº 11, a 9 de Novembro de 1903, foi um humilde aprendiz de carpinteiro com poucos anos de profissão. A sua educação foi realizada inteiramente no meio militar onde concluiu o 1º curso das Escolas Regimentais de Infantaria (1904), o 2º curso das Escolas Regimentais de Infantaria (1905), o curso de 1º Sargento (1907) e o curso livre o curso livre da Língua Francesa do R.I. 11 (1908) que, certamente, lhe valeu de muito durante a sua presença militar em França, entre 1917 e a sua morte em 1918. No seu percurso militar até à Grande Guerra, para além de ter sido atirador especial na 3ª Companhia do 2º Batalhão do R.I. 11 (1909), passou pelo ramo da instrução, onde foi professor auxiliar no curso de habilitação para 1º cabo (1907-1908) e professor do curso de instrução (1910-1911).

A tragédia na vida deste oficial setubalense começou poucos meses após o nascimento da sua filha Maria Irene, quando no dia 26 de Novembro de 1912, em sua casa pelas 18h30, “causou involuntariamente a morte à sua mulher, Sílvia da Luz Silva Sanches, disparando-lhe quase à queima-roupa um tiro de pistola automática, que por o de dois filhos: José Vidigal (19 de Março de 1902) e Maria Irene (26 de Março de 1912). Até assentar como praça no Regimento de Infantaria nº 11, a 9 de Novembro de 1903, foi um humilde aprendiz de carpinteiro com poucos anos de profissão. A sua educação foi realizada inteiramente no meio militar onde concluiu o 1º curso das Escolas Regimentais de Infantaria (1904), o 2º curso das Escolas Regimentais de Infantaria (1905), o curso brincadeira lhe apontou convencido de que estava descarregada, apesar segundo declarou, não ter perfeito conhecimento do seu mecanismo.” (Citado a partir do relatório da Secretaria do 2º Tribunal Militar Territorial de Lisboa, 4 de Dezembro de 1913) Acabou por ser absolvido pelo tribunal.

Depois ter subido de sargento-ajudante (1915) para alferes (1916), saiu pela última vez da sua casa no nº 70 da rua Antão Girão, em Setúbal, para Lisboa onde embarcaria para França a 27 de Maio de 1917. No Corpo Expedicionário de Português (C.E.P.), foi integrado no Batalhão de Infantaria nº 2 da 6ª Brigada da 2ª Divisão, tendo sido louvado “pelo muito zelo e constante dedicação com que desempenhou todos os serviços a seu cargo” (Ficha de Matrícula – 14 de Junho de 1917), “pela maneira inteligente, zelosa e distinta como se desempenhou do ensino de instrução que lhe foi confiada” (Ficha de Matrícula – 5 de Setembro de 1917) e “pela maneira inteligente, muito zelo e dedicação com que se desempenhou da acumulação de serviços de que foi encarregado” (Ficha de Matrícula – 7 de Fevereiro de 1918). Foi, ainda, Porta-Bandeira no quartel-general da mesma brigada e recebeu a medalha de prata de comportamento exemplar (16 de Novembro de 1917).

A derrota portuguesa na batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, resultou na sua morte, pelas 11 horas da manhã, por intoxicação de gases e uma grave ferida na nuca provocada por estilhaços de granada. Foi enterrado no cemitério de Saint Venant, desconhecendo-se o número da sua sepultura. Em homenagem post mortem foi elevado a Tenente de Infantaria a 27 de Maio de 1920 e, por intervenção do núcleo de Setúbal da Liga dos Combatentes, foi-lhe atribuído o nome de uma pequena rua no concelho a 28 de Abril de 1926.

Para além de Francisco Pinto Vidigal, o historiador Diogo Ferreira disponibiliza também a lista dos 17 setubalenses feitos prisioneiros de guerra setubalenses, aquando da Batalha de La Lys, nos campos de prisioneiros alemães, nomeadamente de Münster II, Friedrichsfeld ou Dülmen: Cipriano Marques de Oliveira, Duarte Augusto Reisinho, Jaime da Encarnação Viegas, Manuel da Costa, Guilherme Nunes Pacheco, Vítor Manuel, José Marinho, José de Almeida, Armando Eduardo Ferreira, João António de Jesus, António Gomes, Filipe Bento, Raúl Domingos, Abílio Ramos, António Lápido Lourenço, José Maria Pereira e Aníbal José Peixoto. Mais informações sobre estes homens podem ser encontradas no livro do jovem historiador, “Setúbal e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918)”, lançado em 2017, pela editora Estuário, e no livro “Os Combatentes do Concelho de Setúbal na Grande Guerra em França (1917-1918), de Diogo Ferreira e Pedro Marquês de Sousa. Para além de ter consultado o Arquivo Histórico-Militar/DIV/1/35A/1/04/1047, o Mapa dos Falecidos, o Arquivo Histórico-Militar /DIV/3/7/Cx. 1354 e Cx. 1753, Diogo contou ainda com a ajuda dos netos do alferes, Francisco Pinto Vidigal e Sílvia Vidigal Gaita, que lhe cederam a fotografia do mesmo.

O Setubalense/ZoomOnline

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