Alto-Comissário rejeita muros na política de imigração

Publicado em Abril 19, 2017 » Destaques, Sociedade, Últimas

As questões inerentes aos fenómenos migratórios foram o mote para um seminário ontem, na Casa da Baía, com a presença de Pedro Calado, Alto-Comissário para as Migrações, do Ministro-adjunto, da Edugep, Câmara de Setúbal e União das Freguesias, no âmbito do projecto Transnational ACTions for the access and INTegration of Migrants into EU labour market.

O Alto-Comissário para as Migrações, considera que “em tempos de medos e muros temos de responder com factos” e apresentou dados sobre a migração actualmente, destacando o aparecimento de novos fluxos migratórios, com o aumento de vistos para estudantes internacionais, com os reformados que estão a procurar Portugal para viver nesta etapa da sua vida, e os “novos” portugueses, 400 mil cidadãos portugueses com origem imigrante. “Verifica-se uma crescente complexidade neste sentido e nós, Portugal, somos um bom exemplo disso”, acrescenta Pedro Calado.

António Gonçalves, director da Edugep, explica a discussão com a necessidade de “agir no tempo certo, quando estamos numa conjuntura geopolítica que a isso apela”. Relativamente ao ACT in Time, classifica-o como “um projecto de quem acredita numa dimensão europeia necessariamente solidária, de uma Europa que se arrisca a ficar vítima da xenofobia e dos nacionalismos barrocos de quem não aprendeu com a história que os extremismos cedo ou tarde acabam mal”. A Edugep, promotora do projecto europeu ACT in Time, é uma entidade com sede em Setúbal que actua no âmbito educacional, formativo, cultural e social em conjunto com várias entidades parceiras a nível nacional e europeu.

Por seu lado, a ACM, que trabalha de forma a promover a integração dos imigrantes e grupos étnicos, através dos três Centros Nacionais de Apoio aos Imigrantes que tem em Lisboa, Porto e Faro; conta com a Linha de Apoio ao Migrante, o Serviço de Tradução Telefónica, o Programa Português para todos e da rede de Ensino Superior para a Mediação Intercultural. Por todo o esforço que tem desenvolvido nesta área, Portugal foi reconhecido mais do que uma vez e, inclusivamente, considerado um dos países do mundo com melhores políticas de integração.

Setúbal sente fenómenos da migração desde sempre

A região tem sido um território onde estes fenómenos de migração se têm feito sentir, “onde estamos habituados a receber os outros, a olhar para as diferenças e a assumir precisamente essas diferenças”, refere Rui Canas, presidente da União de Freguesias de Setúbal, para quem “mostrar a nossa cultura, a nossa forma de estar e de viver mas também procurar conhecer as formas de estar e de viver dos outros que connosco vêm partilhar este território” é a prova de que “somos freguesias onde há tolerância e um olhar amigo”.

Pelo mesmo diapasão afina o vereador Pedro Pina, ao constatar que “este é um tempo e esta é uma cidade onde olhamos a diversidade como uma qualidade que, resgatando o título, é também uma oportunidade”. O autarca destaca que Setúbal “é um território que assiste e vive desde sempre movimentos migratórios, hoje entendidos por nós localmente como oportunidades de desenvolvimento social e económico, já que falamos de pessoas e interacções económicas”. “Muitas vezes não agimos a tempo, reagimos àquilo que são os problemas e este é um desafio transversal a todos aqueles que assumem responsabilidade nesta matéria, sobretudo quando está em causa a vida das pessoas, sendo que esta é uma dimensão a que todos diz respeito”, remata.

Agir a tempo

O projecto ACT in Time: Transnational ACTions for the access and INTegration of Migrants into EU labour market, que pretende realizar seminários para a sua divulgação em Setúbal, Coimbra e Porto, tem a duração de 24 meses com fim previsto a 30 de Novembro de 2018, é financiado pela AMIF e é uma parceria entre IFOA, de Itália, Artesis Plantijn University College, da Bélgica, CEEDV, de Espanha, EDUGEP, de Portugal, FAB, de Áustria, INTEGRA, da Suécia, CEPEC Formation, de França, SECEEL, da Croácia, VHS Passau, da Alemanha.
Com o objectivo de facilitar o acesso ao emprego, promover a integração no local de trabalho e implementar iniciativas concretas destinadas a facilitar o acesso ao emprego dos migrantes, este projecto pretende desenvolver um quadro de referência de serviços e metodologias para a cooperação entre os vários intervenientes e aumentar as oportunidades dos refugiados e migrantes para o acesso ao emprego, bem como promover a aprendizagem de conteúdos linguísticos, avaliação de competências, informação sobre reconhecimento de qualificações e correspondência com potenciais empregadores.

O Setubalense/Zoomonline

Partilhe este artigo
Tags

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever!

*