Artista plástica Ana Quintino recorre a memória fotográfica para criar

Publicado a Março 7, 2018 » 481 Views» Cultura, Destaques, Últimas

Ana Quintino nasceu, cresceu e tem vivido sempre em Setúbal, cidade onde tem actualmente um atelier. Artista plástica também dedicada à arte urbana, baseia-se em situações do dia a dia para criar as suas obras. Elementos como o mar e o fogo, a natureza e outras coisas simples do quotidiano são as suas principais fontes de inspiração num mundo cada vez mais complexo.
“Tive algumas dúvidas sobre se queria enveredar por isto, pela arte, mas nunca parando de pintar, até que decidi investir nisto e decidi que era isto que eu queria fazer da minha vida. Nos últimos anos, voltei a pintar e actualmente sou artista plástica a tempo inteiro”, começa por dizer Ana Quintino, que, nascida, criada e residente em Setúbal, só saiu da cidade para ir estudar para as Caldas da Rainha. “Faço maioritariamente pinturas e vou fazendo esculturas, também. Estou à procura de um espaço na baixa, um atelier com porta aberta. Não é preciso um espaço enorme, mas preciso de ter paredes para poder pintar. E a ideia é ter um estúdio aberto, que é bom para mim e para a educação das pessoas, que vão poder ver o que eu faço e ganhar respeito. O importante é as pessoas criarem relações e não se fecharem nelas e nos mini-problemas que elas têm”, considera a artista, que tem um atelier na cidade e procura um novo espaço onde possa conjugar a pintura e a promoção do contacto com o público.
“O meu trabalho de arte é muito inspirado na memória fotográfica, nas experiências que tive e vou tendo. Posso dizer que é uma mistura entre retrato e experiência, embora muita gente veja o meu trabalho como pintura abstrata”, refere. “Arte não é uma questão técnica. Se fosse, pintávamos todos paisagens e ficávamos por aí. É uma questão de passagem de mensagem, de mover a pessoa e fazer a pessoa pensar. Um filme bem feito é um filme que te deixa a pensar sobre a questão que foi posta ali e uma obra de arte é a mesma coisa”, adianta, mencionando que para si criatividade e curiosidade são dois conceitos fundamentais e “a curiosidade é o que alimenta o mundo”.
Das cores mais frias às cores mais quentes, todos os tons são importantes nas pinturas de tricot de Ana Quintino. “A ideia é pegar nos elementos de uma forma diferente, pensar no que é que forma o fogo ou como é que dás forma a essa imagem ou a essa ideia do que será a chama, o calor”, diz. “O meu trabalho é muito sobre ir a andar na rua, ver qualquer coisa que achas espectacular e ficar a pensar como é que posso mostrar o que estou a ver. Muitas pessoas podem pensar que o artista tem a ideia do nada e tudo isto acontece do nada, mas não. As ideias vêm diariamente ao longo do dia. Estamos em constante trabalho”, adianta.
Para novembro, a pintora e escultora tem já marcada uma exposição na Casa da Cultura, com vernissage no dia 2, pelas 22h00, e presença durante todo o penúltimo mês do ano. “A exposição ainda não tem título porque neste momento estou em processo de criação de todas as peças, mas posso já avançar que vou explorar a imagem de fogo, a desolação que este deixa na sua passagem, e o renascimento que brota de entre toda a cinza”, revela.

(A entrevista na íntegra com a edição de hoje de O Setubalense)

Inês Antunes Malta/ O Setubalense

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