“Comer bem é, sem dúvida, sinónimo de viver bem”

Publicado a Fevereiro 5, 2018 » 353 Views» Destaques, Sociedade, Últimas

A nutricionista Catarina Maria, na sua primeira abordagem em consulta refere sempre o grande objetivo, “ensinar a comer”. Longe de uma restrição alimentar, esta máxima “é uma reeducação para aprender a escolher alimentos mais saudáveis. Conhecer o que se está a comprar. E o comer bem e viver bem vem daí, do saber escolher”.
O último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física revela que, “as regiões Centro, Alentejo e Norte são as que apresentam uma maior prevalência” de adesão ao padrão da “dieta mediterrânica”. Quanto à Região Autónoma dos Açores, esta é a “que tem valor inferior”. A Região Autónoma da Madeira, Algarve e Lisboa apresentam valores intermédios.
Sobre os setubalenses a nutricionista Catarina Maria refere “uma crescente preocupação com a imagem sendo, na maior parte das vezes, essa a razão pela procura de uma dieta equilibrada, com base no regime alimentar mediterrânico”.
É neste contexto que, em uma primeira abordagem nas suas consultas em Setúbal Catarina Maria refere como grande objetivo, “ensinar a comer”. Longe de uma restrição alimentar, “é uma reeducação para aprender a escolher alimentos mais saudáveis. Conhecer o que se está a comprar. E o comer bem e viver bem vem daí, do saber escolher”. Encarando a alimentação “como um estilo de vida” que, “deve ser parte integrante do nosso quotidiano. Por isso é, igualmente importante aliar exercício físico a escolhas alimentares conscientes”.

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214 mil famílias inquiridas revelam

  • 97,2% receio de que a comida acabe antes de terem dinheiro
  • 100% revelam que alimentos comprados acabam e não têm dinheiro para mais
  • 94,2% não conseguem comprar alimentos para refeições completas e saudáveis
  • 92,3% dos adulto comeram menos ou deixaram de comer por não ter dinheiro
  • 97,8% reportaram que esta situação ocorreu 3 ou mais meses do anos

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Pressão do quotidiano leva a escolhas erradas

Um grande problema que refere como linear para a população em geral, “tem a ver com a falta de tempo que nos leva a afastar da típica alimentação mediterrânica, com refogados em azeite, ou assados no forno”. A falta de tempo conduz os pais a “escolher alimentos práticos e rápidos, na sua maioria congelados e pré-cozinhados, as chamadas refeições de microondas, que preparam enquanto organizam a rotina de fim de dia com os filhos”.
Na avaliação do Inquérito Nacional Alimentar, sobre a incidência da alimentação mediterrânica na sociedade portuguesa, com base nas faixas etárias dos 3 anos aos mais de 65, as conclusões nacionais apontam para “30,8% dos indivíduos com baixa adesão ao padrão alimentar mediterrânico, sendo que a adesão moderada representa 41,4% da população”. Sendo a adesão elevada, de 27,8 %, “muito superior nos indivíduos idosos e muito inferior nos adolescentes”.

Organizar rotinas para uma alimentação saudável

Catarina Maria aconselha a organização e planeamento, como atitude chave para uma alimentação saudável. “Fazer uma lista de compras, para quando vão ao supermercado saberem o que querem e precisam comprar. Uma lista que inclua os ingredientes necessários para todas as refeições que se planeia fazer durante a semana”. Um dos truques mais fáceis de gerir é “fazer uma sopa em quantidade suficiente para toda a semana, por exemplo. E preparar a proteína, carne ou peixe, com antecedência”.Com base nestes truques, Catarina aconselha também “assados no forno, que muitas pessoas não consideram saudáveis porque precisam de azeite ou outra gordura. Algo que é errado. É modo de cozinhar saudável e muito típico da nossa dieta mediterrânica”.

 

Precariedade económica tem conduzido a escolhas alimentares erradas

Se a dieta mediterrânica precisa ser uma decisão mais ativa na população portuguesa, por outro lado a precariedade económica leva a menos possibilidades no intuito de manter esta alimentação como estilo de vida. O Inquérito Nacional Alimentar revela em conclusão que, “a adesão elevada ao padrão alimentar Mediterrânico é inferior nos indivíduos com insegurança alimentar”.
Entre 2015-2016, 10,1% das famílias em Portugal experimentaram insegurança alimentar, “ou seja, tiveram dificuldade, durante este período, de fornecer alimentos suficientes a toda a família, devido à falta de recursos financeiros”. A par desta conclusão, “uma em quatro destas famílias indicaram experimentar insegurança alimentar moderada ou grave”.

Ana Martins Ventura/ O Setubalense

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