Convento de São Paulo reabre após meio século de encerramento

Publicado em Junho 26, 2017 » Cultura, Destaques, Sociedade, Últimas

Numa das encostas da Arrábida, o Convento de São Paulo reergueu-se, após cinquenta anos de encerramento, graças ao investimento de 400 mil euros da Associação de Municípios da Região de Setúbal. O equipamento está pronto para receber eventos culturais e visitas.

A Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), inaugurou, na passada quinta-feira, as obras de reabilitação do Convento de São Paulo, formalmente designado por antigo Convento de Nossa Senhora da Consolação de Frades da Ordem de São Paulo, de Alferrara, monumento de 1383, construído numa das encostas da Serra da Arrábida, e que se encontravam extramente degradadas e encerradas há 50 anos. Um investimento de 400 mil euros que permitiu devolver parte deste espaço – claustro, nave da igreja, antigo refeitório e respectiva cozinha -, à comunidade, encontrando-se de portas abertas a eventos culturais de entidades públicas e visitas, mediante marcação. Rui Garcia, presidente da direcção da AMRS, lembrou que este é “um dia de grande alegria e satisfação”, lembrando que “quando aqui entrei pela primeira vez, há mais de oito anos, com o então presidente Alfredo Monteiro, este espaço estava completamente degradado”.

“Quando tivemos de tomar a decisão de intervir, com alguma coragem porque os nossos recursos são escassos, pensámos que tínhamos de ter a responsabilidade para com a região, e passo a passo, fizemos um trabalho que nem sequer está a meio do caminho”, disse o responsável. “Acredito que este caminho vai continuar a fazer-se porque está certo devolver este património com longos séculos à região”, salientou Rui Garcia. “É nossa obrigação preservar e não o deixar ao abandono”, disse, concluindo que “valeu a pena”.

A secretária geral da AMRS, Fátima Mourinho, lembrou que “em 1986, o conselho administrativo da então Associação de Municípios do Distrito de Setúbal, cujo presidente administrativo da assembleia, era Hélder Madeira, decidiu adquirir à Câmara Municipal de Setúbal, a Quinta de São Paulo, evitando um processo de loteamento clandestino emergente na altura, que felizmente não se concretizou”.

“Os conventos de São Paulo e dos Capuchos eram parte integrante da Quinta de São Paulo e a associação recebeu este património em situação de degradação acentuada, sem espólio, nem azulejos, vandalizado e em estado de ruína”, realça a responsável, adiantando que “em 2008, perante a iminência de ruína, o conselho directivo de então com o presidente Alfredo Monteiro, decidiu adjudicar uma obra para impedir que tal acontecesse”.

“O diagnóstico sobre os conventos impunha-se e a AMRS convidou o arquitecto Vítor Mestre, para ajudar a encontrar o caminho que nos trouxe até ao dia de hoje”, disse Fátima Mourinho, recordando a consolidação da estrutura e recuperação do Convento dos Capuchos e da Casa de Fresco, já feita, e a consolidação estrutural e reabilitação parcial do Convento de São Paulo”. “Avança-se passo a passo, respeitando as memórias dos espaços”, disse.

O vereador da Câmara Municipal de Palmela, Luís Miguel Calha, disse que “hoje é um dia especial para a região e para o concelho de Palmela, dado o convento situar-se neste território charneira, entre os municípios de Palmela e de Setúbal, porque através da reabilitação deste importante monumento valoriza-se a história e a identidade do nosso património cultural e regional”, transmitindo-as “às actuais e futuras gerações”, considerando a AMRS “um exemplo no país”.

O Setubalense/ZoomOnline

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