É urgente a construção do Hospital no Concelho do Seixal

Publicado em Março 16, 2015 » Destaques, Opinião

paula santos pcpSó não vê quem não quer – o HGO não tem capacidade de resposta e a solução passa pela construção do Hospital no Concelho do Seixal.

Praticamente desde que o Hospital Garcia de Orta (HGO) entrou em funcionamento que está subdimensionado para a população da sua área de abrangência. Os longos tempos de espera no atendimento nas urgências, para as consultas externas ou para cirurgias é a realidade. E com o passar dos anos o problema só se agravou.

Hoje o HGO encontra-se numa situação de total rutura, mais visível no serviço de urgência, com elevadas horas de espera para o entendimento, ultrapassando em muito os tempos recomendados (por vezes atinge 12h, 16h e já chegou mesmo às 20 horas).

A falta de condições de trabalho no HGO levou mesmo à apresentação de demissão de sete chefes de equipa da urgência. Falta tudo – falta material clínico, faltam profissionais de saúde – e os profissionais estão exaustos.

Para agravar a situação os cuidados de saúde primários não dão a resposta adequada e a perda de serviços e valências nos Hospitais do Barreiro e Setúbal, introduziram uma maior pressão e uma maior afluência ao HGO, que já tinha inúmeras dificuldades em prestados cuidados de saúde de qualidade, em tempo e útil e necessários aos utentes.

A construção do Hospital no Concelho do Seixal, como hospital de retaguarda, surge como a solução correta para garantir os cuidados de saúde à população do Seixal. Vários estudos sobre planeamento hospitalar apontam esta solução.

O Governo PS na altura assumiu este compromisso (na sequência da luta das populações, comissões de utentes de saúde e autarquias), mas o andamento do processo encontrou pelo caminho inúmeros obstáculos. Apesar de nunca o terem assumido, na prática o PS foi deixando o hospital na gaveta.

Já o Governo PSD/CDS-PP nunca quis assumir o compromisso firmado. Iam dizendo que não era necessário, que não havia recursos. Por outro lado, o Governo ia dizendo que na Península de Setúbal havia sobreposição de serviços e valências ao nível dos cuidados hospitalares. Desde logo ficou muito evidente que para este Governo a construção do hospital no Concelho do Seixal não era uma prioridade e ao longo de quatro anos de governação nada fizeram, ignorando o agravamento da situação da saúde da população desta região.

Tem sido também invocado pelos membros do Governo o investimento de cerca de 120 milhões de euros no HGO, esqueceram-se foi de dizer que foi para pagar dívidas decorrentes do subfinanciamento dos hospitais públicos e que não teve nenhum reflexo na prestação de cuidados de saúde.

No passado dia 11 de março na Assembleia da República, o Ministro da Saúde, numa atitude de total desrespeito pelos utentes e até num tom ofensivo para quem tem dificuldades em aceder aos cuidados de saúde, disse novamente que este hospital não era necessário, procurando argumentar com os bons resultados atingidos pelo HGO.

É pena que na sua intervenção o Ministro não tenha referido que em 2014 o HGO teve uma quebra de 200 cirurgias convencionais e de cerca de 400 cirurgias de ambulatório. E que, o plano de atividades do HGO para 2015 refere que “Por força do programa de ajuda financeira ao Estado Português e do decréscimo gradual de financiamento do HGO, houve que racionalizar os efectivos de pessoal, com várias medidas estruturais. Os efectivos permanentes foram reduzidos em 7% no período de 2010 a 2014. Verificou-se neste período um crescimento da produtividade (doentes padrão/etc´s permanentes) de quase 10%”. E que “Este esforço alcançou porém o limite do aceitável. Insistir com esta política seria pôr em causa a confiança e colaboração dos profissionais, num contexto actual de grande dificuldade de gestão do potencial de motivação, devido à perda generalizada e significativa de rendimentos, como se verá mais adiante. Continuar a insistir nesta política seria ainda pôr em causa a qualidade e segurança dos cuidados(sublinhados meus). Quanto a isto, o Ministro ficou-se pelo silêncio.

A verdade é que não há nenhum argumento válido para não construir o Hospital no Concelho do Seixal. Está muito claro, o Governo não constrói o hospital por opção política, porque este Governo não está para defender o Serviço Nacional de Saúde, mas sim para beneficiar os grupos económicos e financeiros que lucram com a saúde.

O Governo prossegue uma política de desacreditação e de desmantelamento do SNS para justificar a sua opção pelos interesses privados.

Deu entrada na Assembleia da República uma petição em defesa do Hospital no Concelho do Seixal. No início deste mandato, uma das primeiras iniciativas legislativas apresentadas pelo PCP foi um projeto de Resolução que recomenda a construção urgente do Hospital no Concelho do Seixal. Não deixaremos de utilizar os instrumentos de que dispomos na defesa da construção deste hospital.

A continuação da luta das populações, das comissões de utentes de saúde, dos profissionais de saúde e das autarquias é fundamental na defesa da construção do Hospital no Concelho do Seixal e na defesa do direito à saúde.

 

Paula Santos

Deputada do PCP eleita pelo Círculo de Setúbal

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