Editorial | Uma Jornalista morreu…

Publicado em Abril 30, 2017 » Destaques, Últimas

Dizem que a Etelvina dormia quando, como o poeta cantou, se quebraram nas veias os relógios onde os ponteiros marcavam projectos, ideias, objectivos e realizações que certamente trariam mais qualidade e a ética e o entusiasmo que eram a marca do seu trabalho.

Acredito até que, antes do último adormecer, tenha ainda revisto o planeamento dos próximos meses de trabalho que, com a forma assertiva de sempre, havia acabado de discutir há poucas horas com a direcção e a administração.

Diz a sabedoria popular russa que só conhecemos alguém quando com ele tivermos compartilhado o “sal” da vida, ou, como se queira, dificuldades, erros e derrotas.

Serei por isso a pessoa menos indiciada para tecer considerações sobre o que foi o longo trajecto profissional da Etelvina Baía.

Motivada para participar no projecto do “O Setubalense”, faz agora um ano, assumiu depois, em Outubro passado e de forma entusiástica, a coordenação do projecto redactorial da Setupress, englobando também as novas experiências de “O Seixalense” e do “ZoomOnline”.

Eras implacável, Etelvina? Pode dizer-se que sim. A única “desculpa” era exigires dos outros o que a ti te obrigavas.

Esse rigor que, às vezes, até poderia gerar anticorpos, era temperado pela humildade com que assumia os próprios erros, sempre em benefício do colectivo redactorial.

Esta perseverança em lutar pelos projectos em que se envolvia, contrasta, quer se queira quer não, com certos comportamentos da nossa comunicação social regional, onde a necessidade de afirmação do ego, leva ao afastamento e criação de projectos autónomos efémeros, sem perspectiva de futuro.

O rigor e a humildade da Etelvina Baía exorta-nos a unir esforços em prol do interesse dos leitores, única razão da nossa escrita.

Já sei, já sei… mesmo tendo-nos deixado de forma tão súbita, vais continuar a ser a nossa “má-boa” consciência: “Isso não presta! Isto pode estar melhor!”

Que esse rigor seja sempre a nossa bandeira.

O Director, ainda chocado,

João Abreu

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