Festival da Liberdade põe milhares a festejar e a falar do 25 de abril

Publicado em Maio 11, 2014 » 25 de abril, Cultura

banda andarilhoNo primeiro dia do Festival Liberdade, aguardava-se no recinto os três concertos da noite. Quem chegava ao local, podia ver ainda de fora do recinto já a animação que se adivinhava para o resto da noite. A abertura dos espetáculos foi feita pelos Bardoada – Grupo do Safarro. Depois, foi a vez da Banda do Andarilho inaugurar o palco do Festival Liberdade. Para fazer jus ao nome do evento, a Banda do Andarilho incluiu no reportório da noite duas das célebres canções de Zeca Afonso: “Vampiros” e “Senhora do Almortão”.

deolindaDepois, foi a vez dos Deolinda subirem ao palco. A banda mais aguardada da noite pôs o público a cantar logo na primeira canção com “Mal por Mal”. Para “Patinho de Borracha”, a vocalista da banda fez-se acompanhar de um engraçado pato amarelo de borracha, que foi utilizado ao longo da música. O público acompanhou com palmas “Concordância”, que foi seguida da emocionada balada “Passou por Mim e Sorriu”. Sempre bem disposta, Ana Bacalhau foi preenchendo o palco não só com alegria, mas com a sua característica expressividade ao longo do concerto. “Há de Passar” antecedeu “Um Contra o Outro”, que pôs a plateia a dançar ao ritmo alegre da banda. “Fade Out” foi a música que se seguiu, que apesar de não ser das mais conhecidas da banda, foi seguida pelo público com palmas. Em “Fado Toninho” ouviu-se o público, que sabia a letra na ponta da língua, sempre acompanhado de um passinho de dança. “Fiscal do Fado”, “Quando Janto em Restaurantes” e “A Problemática da Colocação de Mastro” foram os temas que se seguiram, com a audiência sempre a dançar e aplaudir ao ritmo das canções . “Seja Agora” pôs o público a cantar e a dançar, e foi com “Musiquinha” que a primeira parte do concerto acabou. Os Deolinda ainda regressaram ao palco para tocar “Doidos” e a tão pedida “Fon Fon Fon”.

jorge morais AMRSEm tom de balanço, Jorge Martins, da Organização do Festival, admitiu ao Zoom online que “estamos muito contentes (…) Estávamos um bocadinho reticentes, que é sempre o primeiro dia, é sempre um risco, mas os espetáculos correram muito bem, estiveram muito cheios. Cheios de público, uns bons milhares de pessoas. Nós ainda não temos números, mas tencionamos escrevê-los num papel para recordarmos e também divulgarmos”.

Jorge Martins adiantou ainda que “é importante pôr as pessoas sobretudo a falar do que é o 25 de abril, mas também comemorar. O abril é para comemorar, é para comemorar a liberdade, é para comemorar a revolução de abril, os valores, e acho que isso está a ser conseguido. Esperamos até ao final do ano contribuir mais”.

O segundo dia do festival teve de início com a atuação dos Gaiteiros, que animaram o recinto ao som da gaita de foles e de tambor. Já a atuação do grupo Skate Gasolie foi cancelada, uma vez que não se proporcionaram as condições para a sua demonstração.

A tarde no Festival Liberdade continuou animada, com a atuação do grupo ARTE VIVA – Companhia de Teatro do Barreiro. Posteriormente, decorreu o debate 40×25, em que foi discutida a liberdade e o 25 de abril. Com um painel essencialmente jovem, foram abordadas as vertentes e o impacto da Revolução dos Cravos. De acordo com o facebook do evento, “Liberdade, Paz, Guerra, Ditadura, Fascismo, Estado Novo, 25 de Abril foram algumas das palavras presentes no debate”.

De seguida, o grupo Água de Beber realizou uma demonstração de capoeira, que atraiu pessoas à tenda do evento. A animação continuou com a pintura de 4 murais de graffitis, sob a temática da liberdade.cais sodre funk

A noite chegou, e com ela os tão aguardados concertos da noite. Os Cais Sodré Funk Connection aqueceram o público, que esperava os cabeça de cartaz. A banda de funk pôs desde as crianças aos mais velhos a dançar ao divertido ritmo da banda. Canções como “Are You Somebody” agitaram a plateia, que parecia não conseguir ficar quieta.

the gift soniaDepois da pausa para preparar o palco, seguiram-se os tão desejados The Gift. Ao som de “Cube”, a banda cabeça de cartaz pisou pela primeira vez o palco. Mas foi com “Primavera” que a banda ouviu as suas letras cantas pela plateia, que acompanhava a música. A banda continuou em português até “Driving You Slow”, que apesar de quebrar a linha da língua, pôs todos os presentes a dançar. “I’m Doing It For Music” também foi cantado por alguns elementos da plateia, perante a emoção de Sónia Tavares, que no fim apontou para todo o público – “I’m doing it for everyone around… me”. Entre temas menos conhecidos e mais ou menos mexidos, o público foi dançando e cantando ao ritmo dos The Gitf. Contudo, o momento mais emocionante da noite aconteceu quando a banda apresentou, pela primeira vez ao vivo com os The Gift, a interpretação de “Gaivota” – o fado de Amália Rodrigues reinterpretado no projeto Amália Hoje. Com um portefólio de canções inéditas em concerto, os The Gitf surpreenderam, tendo conciliado ao longo do espetáculo as canções mais recentes e mais populares, mas sem nunca esquecer os temas mais antigos e menos conhecidos.

the giftOs The Gift revelou ao Zoom online que têm planos para o futuro, mas ainda não querem falar destes. “Obviamente que os Gift estão a tentar inovar-se novamente, estão a tentar fazer músicas novas, mas neste momento acho que é muito prematuro estarmos a falar do que quer que seja, do que vamos fazer. Porque nós próprios ainda estamos à procura do caminho” revelou a vocalista.

 

 

Zoom online

Fotos: +imagens (André Areias/Rui Monteiro)

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