Oleiros mantém tradição da Queima de Judas

Publicado em Março 31, 2017 » Cultura, Destaques, Últimas

Os moradores da aldeia de Oleiros relembram velhos costumes e continuam a transmitir a tradição da Queima do Judas às novas gerações. Um costume muito antigo, ligado à tradição cristã que acontece sempre no Sábado de Aleluia, na Semana Santa. Este ano será na manhã do dia 15 de Abril.

No próximo dia 15 de Abril, às 11h30, cumpre-se mais uma tradição em Azeitão com a Queima de Judas, na Aldeia de Oleiros. Trata-se de uma iniciativa dos moradores com apoio dos músicos da Perpétua Azeitonense, voluntários da Associação Azeitão No Coração e da Junta de Freguesia de Azeitão. Para a presidente da Junta, Celestina Neves, “é importante não deixar morrer as tradições das terras, nomeadamente de Oleiros”, frisando que é uma Queima de Judas com “características muito próprias”.

“Quando assumimos a gestão da Junta de Freguesia de Azeitão, em 2009, havia ali uns moradores que tinham teimado em manter a tradição e depois juntamo-nos a eles para dinamizar e fortalecer a iniciativa, mantendo o carisma de há muitos anos”, disse a autarca.
O “Judas” percorre as principais ruas de Oleiros, ao som da banda da Perpétua, acompanhados pelos juízes, os advogados e as viúvas, interpretados por um conjunto de actores que fazem animação de rua de forma voluntária para as principais iniciativas da freguesia, parando no átrio da capela, onde decorre o julgamento, com a sentença feita em quadras populares, sendo depois condenado, pendurado e queimado. O julgamento é assistido por centenas de pessoas e no final há uma confraternização, com o Moscatel de Setúbal e os famosos biscoitos “Esses de Azeitão”.

A tradição simboliza a traição do apóstolo Judas a Jesus Cristo na Última Ceia. O povo, para simbolizar o castigo devido a tal pecado, faz um sermão popular com versos satíricos, lidos em voz alta para a multidão, onde se evidenciam as maldades cometidas pelo condenado e alguma crítica a pessoas e situações da terra, as mulheres encarregavam-se de chorar convulsivamente. De seguida, o Judas é transportado até à fogueira para ser queimado.

Oleiros é uma povoação muito antiga da freguesia de Azeitão, estando o seu nome relacionado com a existência de uma pequena olaria onde se constituiu a povoação. O primeiro documento que a refere é uma carta do Rei D. Pedro I, de 1366, pela qual autoriza que Azeitão tenha juiz.

Como sinais desse passado, a Aldeia de Oleiros tem alguns portados de cantaria, redondos, dos séculos XVI ou XVII, a capela de São Marcos de 1676 e o solar. A capela tem uma talha do séc. XVII e alguns paramentos dessa época.  O solar é do 1º quartel do séc. XVIII. É em U com as alas laterais para a frente, onde são ligadas por muro alto, tendo este em si o portão nobre. No interior do pátio está uma escada que ao fim do primeiro lanço se bifurca levando assim ao primeiro andar de cada ala. Foi mandado construir por Francisco Xavier da Costa.

O Setubalense/Zoomonline

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