“Todos os dias existe algo novo. As palavras certas são: estou a viver uma aventura”

Publicado a Fevereiro 15, 2018 » 1129 Views» Setubalenses Pelo Mundo, Uncategorized

Vitoriano e ex-jogador do Vitória, António Penim fixou a sua vida nos Emirados Árabes Unidos em 2015, por motivos profissionais. Sobre a experiência que tem vivido conta, “às vezes na brincadeira digo que daqui a uns anos candidato-me à Câmara de Setúbal, devido às ideias que trago depois de ter visto outros mundos”.
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B.I.

António Penim
35 anos
Bairro da Camarinha
Licenciado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, Instituto Politécnico de Setúbal


António Penim começou a sua aventura ao redor do mundo em 2010, “a trabalhar para uma companhia aérea em Portugal, a Hi FLy”, enquanto engenheiro responsável pela cabine dos aviões. “Nessa época tinha operações no mundo inteiro e por isso estive em mais de 40 países”, revela. Depois, em 2015, surgiu o convite para ir trabalhar com a companhia Etihad Airways, sediada em Abu Dahbi, capital dos Emirados Árabes Unidos. “E tem sido de facto uma aventura. Um desafio enorme”.
Na Etihad Airways mantém funções como engenheiro responsável pela cabine. Um trabalho de vertente Hi-Tech sendo “responsável pela conectividade Internet a bordo”. Devido a este contacto com tecnologia de ponta, António coloca o quotidiano como “uma descoberta, há sempre algo novo a surgir em termos profissionais. O facto de o meu trabalho envolver tecnologia faz com que me depare com essa faceta muito cosmopolita e de topo do mundo”.
Aliás a faceta de ‘topo de mundo’ é algo que comenta como presente no Dubai. “Existe agora uma grande preparação para a exposição mundial Dubai 2020. Em Abu Dahbi abriu um espaço do Museu do Louvre. Cada vez mais os árabes tendem a estar na vanguarda da tecnologia, mas também da cultura”.

“Sempre que tenho férias tento estar em Setúbal”

Setúbal está sempre no seu horizonte. “Quando estou fora tenho sempre muitas saudades. E quando estou em Setúbal sinto sempre que estou na melhor cidade do mundo”.  No Abu Dahbi sente, mais do que nunca, “a falta deste olhar o rio, o mar, a serra. Ver os meus amigos, estar com a minha família”.
Ainda assim António não apaga a sua alma sadina, pelo contrário. “Muitas pessoas comentam comigo que eu levo Setúbal pelo mundo fora. Inclusive tenho um blog onde publico as experiências das minhas viagens. Às vezes  perguntam ‘mas tu és de onde?’. E quando eu digo que sou de Setúbal tenho de referir que sou da cidade do Mourinho”.
Questionado sobre como é ser setubalense no Dubai e, claro, português, devido às diferenças culturais, António Penim conta, “nós [portugueses] temos aqui uma pequena comunidade que até está representada no Facebook – ‘Portugueses em Abu Dhabi’. Fazemos muitos convívios, alguns almoços no deserto e acabamos por conhecer outras pessoas que também já passaram por Setúbal e que recordam de imediato a gastronomia, o choco frito, por exemplo”.

De Portugal à Arábia culturas que se cruzam na cozinha

“A cultura é muito diferente do que vivenciamos em Setúbal, mas conseguimos ter um sabor a Portugal” comenta António.
“O ‘Nata’, um franchising que existe em Abu Dahbi e que em Setúbal também está representado, traz um pouco da cultura portuguesa aos Emirados, através da gastronomia”. Mas não fica por aqui. Recentemente, “um português abriu um restaurante de tradicional e nesse espaço temos muitos sabores da nossa gastronomia, como o bacalhau à brás, bolas de Berlim. Um restaurante com muita procura, até mesmo por parte dos árabes que aderem a estes sabores”. É neste ponto que se vê o entrosar das duas culturas, “através da gastronomia”.

“O Dubai é o Dubai, muito diferente de tudo”

Devido ao trabalho que desenvolveu anteriormente, António já tinha passado por Argel, Jordânia e mesmo no Dubai. “Essas experiências deram-me certo ‘à vontade’ para enfrentar a adaptação nos primeiros tempos”. Um contexto em que não pode deixar de referir, “sempre fui muito bem recebido. Nunca olharam como se não pertencesse aqui. Pelo contrário, olham para nós, portugueses, com muito respeito”.
Sobre o choque de adaptação, “apesar de bem recebido aconteceu e sobretudo pela quantidade de pessoas nas ruas”. Com um conceito de família muito forte, António explica que “ao fim-de-semana, que aqui é sexta e sábado, a quantidade de pessoas na rua, nas praias, nos centros comerciais, em espaços públicos como a Ferrari World o Aqua World, é mesmo muito elevada”.
Um mundo contemporâneo que muito se afasta da imagem de fundamentalismo que as comunidades do mundo árabe mais tradicional passam a nível mundial. “Existe uma vida muito dinâmica ao ar livre, com a prática de muitos desportos, culturas interligadas no dia-a-dia. E um grande respeito entre religiões”.

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Favoritos
“A qualidade de vida. Aqui não há desemprego. Todo o tipo de funções são potenciadas para criar emprego”. António trabalha das 7h30 às 17h30 porque, “é um trabalho que exige estar 24h00 com o telemóvel ligado. Os aviões estão sempre a circular. Mas, depois há outros benefícios. “Tenho transporte para o trabalho, oferecido pela empresa. E a vida social que já conquistei com alguns amigos daqui e de outros países”.

Ainda a conhecer…
Depois de ter passado por 40 países e de já ter conhecido muito do Dubai, António deixa pouco a reflexão, mas pondera, “sim há sempre algo mais para conhecer. E agora, por exemplo, estou muito expectante com a Expo Dubai 2020”.

Insólito
“Nós, setubalenses, estamos muito habituados ao peixe e aqui se eu quiser comer um peixe fresco tenho que telefonar no dia antes para o restaurante a encomendar um robalo ou uma dourada, os dois peixes mais fáceis de encontrar”.
Outra curiosidade que António não pode deixar de referir. “Nos nossos aviões [companhia Etihad Airways] as pessoas podem rezar a bordo, através de um mecapoint. Um exemplo, do respeito entre culturas que se vive aqui”.

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