Palácio da Comenda em processo de classificação

Publicado a Fevereiro 25, 2016 » 1284 Views» Destaques

CMSetúbalA Casa da Quinta da Comenda, na Serra da Arrábida, vai entrar em fase de classificação, após a Câmara Municipal de Setúbal aprovar ontem, em reunião pública ordinária, a abertura de um processo nesse sentido.

A deliberação esclarece que se trata da abertura de procedimento para classificação do edifício, conhecido como Palácio da Comenda, como Imóvel de Interesse Municipal.

O texto sublinha, porém, existir a “expectativa de que a entidade da Administração Central competente, neste caso a Direção-Geral do Património Cultural, no âmbito da apreciação a que será chamada a fazer por força do enquadramento legal deste procedimento, venha a considerar a Casa da Quinta da Comenda como bem cultural com interesse supramunicipal e, como tal, suscetível de merecer uma classificação superior”.

O imóvel foi projetado como casa de veraneio em 1903 após encomenda do conde Abel Henri Armand, e, destaca a proposta aprovada, é “um edifício de características artísticas e arquitetónicas notáveis, com um enquadramento paisagístico único no conjunto da obra concebida pelo arquiteto Raul Lino”.

Além da qualidade estilista, a casa, atualmente em estado devoluto, motiva o processo de classificação igualmente pelos materiais e sistemas construtivos empregues, assim como pelos jogos volumétricos e códigos formais de expressão tradicionalmente portuguesa.

“Esta perspetiva e forma de projetar constitui-se, à época, profundamente inovadora, na medida em que contrariava o quadro cultural vigente, com modelos revivalistas e ‘afrancesados”, realça a resolução camarária.

Painéis azulejares da autoria do ceramista José António Jorge Pinto, muitos deles em estado de degradação, decoram diferentes áreas do edifício.

A proposta alerta que a Casa da Quinta da Comenda, além de obras “descaracterizadoras, mas completamente reversíveis”, após a transferência da propriedade nos anos 80 da família Armand para António Xavier de Lima, entrou, desde a morte deste, num “processo de abandono e degradação que se considera urgente reverter”.

CMS/Zoomonline

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