Pedro Fazenda faz visita guiada “ao tempo das pedras”

Publicado a Fevereiro 14, 2018 » 952 Views» Cultura, Destaques, Últimas

Desde sábado, e até pelo menos ao mês de Março, está patente a exposição “O tempo das pedras: a visita”, de Pedro Fazenda, na Galeria de Arte Via Idea, em Vila Nogueira de Azeitão. Com um convite ao público expresso no próprio título, o autor explica agora um pouco mais sobre as suas peças escultóricas elaboradas com base em mármores e outras pedras portuguesas.

“Comecei a trabalhar em madeira, fiz muito desenho, fotografia e pintura, mas a partir de determinado momento tive a oportunidade de começar a trabalhar a pedra e tornou-se o meu material principal de trabalho”, começa por explicar Pedro Fazenda. “Dá que pensar que estas pedras que eu trabalho, estes mármores alentejanos, têm 120 milhões de anos e constituíram-se a partir de outras rochas que já existiam, que por sua vez se constituíram a partir de ossos, conchas, corais. No fundo, estas pedras fazem parte do universo mineral”, acrescenta.

Pedro Fazenda estudou desenho, pintura, gravura, fotografia e escultura no AR.CO, e participa em Simpósios Internacionais de Escultura e exposições colectivas desde 1980. Em exposições individuais, lança-se a partir de 1985, bem como em projectos de design, esculturas públicas e execução de cenografias para teatro, tendo também colaborado em projectos de arquitectura. É ainda membro activo de associações de defesa do património e de intervenção urbana e responsável pelo Departamento de Escultura em Pedro do Centro Cultural de Évora. “Estas pedras já existiam antes da humanidade existir e provavelmente vão existir depois da humanidade deixar de existir”, considera. “Nós não representamos nada, o nosso tempo não é nada, em relação ao tempo geológico, ao tempo das pedras, daí o nome da exposição. Interessa-me que a peça possa ser quotidiana, que possa fazer parte da nossa casa, criando connosco essa relação”, acrescenta, considerando que “a escultura em pedra particularmente é conotada como coisas que não se podem ter em casa”.

O autor explica ainda que a ideia aquando da realização destas esculturas é pegar nas pedras como elas existem na natureza, dar forma a estas mesmas pedras. “Nós vamos morrer e elas continuarão. E no fim dos tempos, se houver fim dos tempos, elas vão se tornar pó. É tudo pó. Pó de pedra, de estrela. Nós também. Nós também podemos vir a constituir rocha no futuro”, remata.

De Coimbra para Évora e de Évora para Azeitão Pedro Fazenda nasceu em Coimbra, viveu muito tempo em Lisboa e viveu em muitos sítios mas desde 1985 que trabalha em Évora, num atelier equipado com máquinas industriais para trabalhar a pedra que se encontra em funcionamento no Antigo Matadouro de Évora. “Passo muito tempo no Alentejo, as pedras são alentejanas, e o Alentejo é um sítio bom para trabalhar porque há poucas pessoas e muito espaço”, considera, deixando a um convite a todos. “Em relação a esta exposição, espero que venham. Que façam uma visita à visita e que olhem de facto para estas pedras como personagens que as visitam”.

O Setubalense/ZoomOnline

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