Rio Frio: de pólo turístico a herdade em ruínas

Publicado em Janeiro 30, 2017 » Sociedade, Últimas

Trabalhadores sem receber, casas a cair, ruas esburacadas, sede sem telhado, toneladas de uvas sem serem colhidas e muita incerteza marcam o presente de uma herdade que já teve a maior vinha do mundo.

A Herdade de Rio Frio, em Pinhal Novo, já foi conhecida por ter a maior vinha do mundo. Na realidade actual está marcada por não pagar os subsídios de 2015 e 2016 aos trabalhadores, que vivem o desespero de não saberem o que irá acontecer. A imagem que marca a herdade é a degradação das casas, as ruas esburacadas, onde até a sede da colectividade ficou sem telhado.

Mais de quatro dezenas de trabalhadores estão “na corda bamba” e não sabem o que o futuro lhes reserva. Luís Pereira, um dos trabalhadores, confessa não “saber qual é o ponto da situação, que preocupa-nos a todos”, não deixando de “reconhecer que há tanto trabalho, mas não temos ordem para o fazer”. Também Carlos Vinagreiro, outro dos trabalhadores, revela com tristeza “estar tudo ao abandono e a decisão continua num impasse, que nos traz uma grande preocupação”.

A administração da herdade pouco pode fazer face à dependência do BCP e da Parvalorem, que não deixaram “colher cerca de 90 por cento das uvas”, lembra um dos trabalhadores, para acrescentar que já se devia “estar a fazer a poda e nada”. A reunião de credores estava agendada para dia 12 mas foi adiada por mais 45 dias, aumentando a ansiedade dos trabalhadores, que sublinham não “entender as razões deste impasse”.
Em Rio Frio moram 100 famílias, que sofrem com o abandono da herdade, com casas a cair, ruas esburacadas e a fossa no limite da capacidade. Durante a semana descentralizada da freguesia de Pinhal Novo, o presidente da Câmara Álvaro Amaro, vereadores e os autarcas da Junta realizaram uma reunião, onde participaram os trabalhadores, os moradores e dirigentes do clube.
Álvaro Amaro garantiu que a autarquia irá ”continuar a apoiar os 44 trabalhadores para serem assegurados os postos de trabalho” e irá “ continuar a concentrar energias para a reposição do telhado na sede do clube, que já teve um apoio de três mil euros”. O presidente da autarquia encarou com satisfação o regresso do Rancho Folclórico que está a “ser reactivado”.
Os moradores pediram a intervenção da câmara para “ajudar a colmatar dificuldades que se prendem com o estado de abandono das ruas, infraestruturas e outros espaços de que usufruem”, revelou Álvaro Amaro. A autarquia, garantiu, vai “intervir de imediato no despejo de uma fossa, na reparação de uma rotura na rede de água e no arranjo de caminhos que, não sendo municipais, são essenciais ao quotidiano das pessoas”.
A herdade de Rio Frio chegou a avançou com um projecto de ecoturismo, com a reabilitação de um centro de hipismo, espaço de lazer a instalar junto à barragem e “continuar a criação de gado bovino e cavalos, mas nos hectares de sobreiros apenas foi retirada parte da cortiça, com a bolota a servir para alimentar porcos vindos de Espanha”, lamentam os trabalhadores.

O Setubalense/Zoomonline

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