“São Simão Arte” preserva tradição do azulejo em Vila Fresca

Publicado em Agosto 9, 2017 » Cultura, Destaques, Últimas

Os azulejos da “São Simão Arte” são produzidos artesanalmente, passando por todas as fases e depois pintados à mão, utilizando as técnicas antigas. Uma arte ancestral que se mantém em Vila Fresca de Azeitão. A empresa já produziu mais de um milhão de peças.

A arte de produzir o azulejo de forma artesanal, feita em Vila Nogueira de Azeitão na empresa “São Simão Arte – azulejos decorativos”, esteve em destaque no programa da RTP1 da “Volta a Portugal em Bicicleta”, no dia 5 de Agosto em Setúbal. Trata-se de uma arte secular que tem muitos admiradores, tendo uma importante componente para a economia local da freguesia de Azeitão quer através da compra das peças quer das visitas de turistas às oficinas de azulejaria.

“Este azulejo tradicional pode durar seiscentos anos porque é feito de barro, uma matéria hidráulica que se consegue adaptar ao tempo, fazendo com que dure muitos anos, enquanto o azulejo industrial é um cimento rígido que quando as paredes vão dando alguma cedência, quebra, trinta a quarenta anos é o período de vida”, afirma Carlos, um dos funcionários mais antigos da empresa, com quase 34 anos de casa.

“Entrei na empresa com 18 anos, comecei a fazer o barro e hoje em dia sou a pessoa que vai orientando os destinos da oficina”, com 12 trabalhadores, disse ainda o funcionário, revelando que este ano já tiveram cerca de 20 mil visitantes. “Este ano esperamos há volta de 28 mil visitantes, grande parte turistas”, afirmou, frisando que “o azulejo é uma peça elegantíssima que suscita muita curiosidade e fala de Portugal, muitos deles são património nacional”.

O barro utilizado nas oficinas é proveniente da zona Norte do país, Porto e Gaia, porque é onde existe a matéria calcária com as características necessárias. “Na zona da Arrábida o barro é vermelho, não servindo porque altera as cores e vidrados e temos de trabalhar numa cor neutra”, explica, adiantando que o processo de secagem da argila, de forma natural e antes de ser trabalhada, é de três a seis meses. Após a cozedura, procede-se à pintura, usando a mesma técnica desde o século XV.

A “São Simão Arte” nasceu pelas mão de António Avillez, sobrinho de António Soares Franco. Em 1983 convidou dois amigos, Jaime Peralta e Álvaro Diniz, que se tornaram sócios em partes, iguais até 2005, altura em que estes dois sócios cederam as suas posições a António Avillez. Desde sempre existiu a preocupação de manter a linha de fidelidade à tradição do fabrico ancestral, onde desde a aquisição do barro, secagem, cozedura e pintura tudo é manual. Apenas os fornos, que são eléctricos se distinguem dos tradicionais. Mais de um milhão de peças foram ali feitas para se venderem não só no mercado nacional mas também no estrangeiro.

O Setubalense/ZoomOnline

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