Seixal diz que novo aeroporto no Montijo contraria desenvolvimento da região

Published On Fevereiro 21, 2017 » 370 Views» Destaques, Últimas

O Governo colocou a Base Aérea n.º 6, no Montijo, na rota da expansão da capacidade aeroportuária do aeroporto da Portela, e já concertou com a ANA – Aeroportos de Portugal, estudos que poderão apontar para que esta infraestrutura comece a ser construída no início de 2019. Para o ministro do Planeamento, Pedro Marques, “o país não pode esperar mais por um novo aeroporto”.

Mas as razões do Governo não são aceites por oito das nove autarquias da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS). Apenas o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, defende a tese de que esta solução “é um investimento estratégico para todo o Arco Ribeirinho do Tejo”, de “coesão territorial” e com alavancagem para o “desenvolvimento nacional”.

Argumentos que o vice-presidente da Câmara do Seixal contesta. Jorge Gonçalves não tem dúvidas de que a melhor solução para construir o novo aeroporto é no Campo de Tiro de Alcochete. “Foram feitos estudos que comprovam que esta localização é a que melhor serve a região e o país a nível de sustentabilidade económica, de desenvolvimento e ambiental”.

Para o autarca, esta decisão do Governo “sem ouvir os municípios” é “questionável” e coloca em causa os planos diretores municipais dos vários concelhos da margem sul, face à perspetiva de um equipamento desta envergadura.

“Este é um projeto estratégico”, afirma. “Construir um novo aeroporto em Alcochete implica o desenvolvimento de toda a região, enquanto ter a Base Aérea do Montijo como suporte ao tráfego na Portela coloca as expetativas de desenvolvimento em causa”, justifica.

Mais do que isso, a solução Campo de Tiro de Alcochete “tem estudos de impacte ambiental, mobilidade e repercussão económica já calculados”. Sobre a opção Montijo, “nada se conhece”, portanto, contrariamente ao que o Governo alega “vamos perder tempo com mais estudos”, e infere, “talvez quem tenha a ganhar seja a ANA; a região não será”.

Avança Jorge Gonçalves que, perante este manto de dúvidas, a AMRS já pediu uma audiência ao primeiro-ministro, António Costa, para que todas as questões sobre o novo aeroporto sejam clarificadas.

Lembre-se que, em reunião da AMRS, os municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Palmela, Seixal e Sesimbra – onde esteve também o do Montijo – decidiram que a opção pela Base Aérea n.º 6, no Montijo, não é a solução mais adequada nem para o país nem para a região. Decisão à qual a Câmara de Setúbal se associou.

O Seixalense/Zoomonline

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