Setúbal tremeu junto com Arraiolos mas autoridades garantem atuação eficaz em caso de sismo

Publicado a Janeiro 18, 2018 » 188 Views» Sociedade

Sísmico: No dia 15 a Terra tremeu de sul a norte do país. Um sismo com magnitude de 4,9 na escala de Richter foi sentido em diversas zonas do país, com epicentro a 6 quilómetros de Arraiolos. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera já destacou uma equipa de sismologistas para realizar um inquérito na região, de forma a caraterizar qual o risco sísmico.

Ana Martins Ventura

O sismo que ocorreu em Arraiolos no dia 15, pelas 11h51, e se fez sentir por todo o país “não causou nenhuma ocorrência em Setúbal, embora algumas pessoas com receio tenham pedido informações sobre o que fazer e ligado para a Proteção Civil”, confirma José Luís Bucho, presidente dos Bombeiros Voluntários de Setúbal e coordenador municipal da Proteção Civil.
Apesar da aparente tranquilidade da cidade face a este sismo com magnitude de 4,9 na escala de Richter, “alguns trabalhadores da câmara deixaram os seus serviços e deslocaram-se para o exterior porque sentiram o abalo, mas depois de passar retomaram os seus postos dentro da normalidade habitual”, refere o coordenador.
Também nas zonas mais altas da cidade vários habitantes referiram ter sentido o sismo. José Ribeiro, morador no Bairro Afonso Costa, julgou “estar a sentir uma tontura”, mas depois percebeu “que algo mais se passava com os objetos a ‘tremerem’ à minha volta”.
António Mesquita, a conduzir o seu automóvel no momento do sismo comenta, “senti que o carro parecia fugir do meu controle mas, no mesmo instante, a sensação de desiquilibrio passou”.
Sobre a situação, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera descreve que o abalo “ocorreu numa conhecida área de sismicidade. Estudos geológicos indicam “uma zona de transição entre uma área relativamente calma sismicamente a norte, e uma área mais ativa sismicamente a sul”, local, “onde existem diversas falhas na placa continental”.

“Em Portugal temos um problema de memória”

O coordenador municipal da Proteção Civil recorda a importância de a população “estar bem preparada para atuar antes, durante e depois de um sismo”, porque a ajuda humanitária e das autoridades locais pode demorar a chegar. “No caso de entidades nacionais até 48h00. Ajuda internacional, 72h00”.
O coordenador considera que, “em Portugal, especialmente no continente, existe um problema de memória coletiva e acontecimentos como o grande sismo de 1755 e outros que ocorreram com menor intensidade ao longo do século XX, são esquecidos”. Algo que, por exemplo, “nos Açores funciona de modo diferente “com a população muito disperta para o que é necessário fazer em caso de catástrofe”, explica.
No arquipelago dos Açores a atividade sismica é algo abitual, “que a população gere de modo mais tranquilo tendo por base os três principais passos: antes, durante e depois”.

Quando a Terra tremer

“No ‘Antes’ saber o máximo de informação possível para saber como agir nas diferentes situações em que o sismo nos possa colocar, estejamos dentro de casa, no trabalho, no exterior, a conduzir, em campo aberto ou perto do mar”, é a primeira lição, refere José Luís Bucho.
Neste ponto insere-se a importância de ter bens de primeira necessidade preparados para uma emergência, “como uma mochila com água, baterias, lanternas, algumas peças de roupa, comida energética e até mesmo dinheiro”. E a par deste pack para autoajuda e entreajuda, “estabelecer um ponto de encontro para a família e deixar o local bem acordado, para o caso de o sismo ocorrer quando cada um estiver na sua rotina diária”.
A ação ‘Durante’ representa “a capacidade de mantermo-nos seguros durante o sismo. Em casa nas zonas das ombreiras das portas ou junto a pilares”, explica. “No exterior, afastados de árvores, postes ou zonas com cabos elétricos”.
No momento ‘Depois’ é tempo de procurar a família, os vizinhos e os amigos “e prestarmos a ajuda de primeira linha, cuidando uns dos outros”, recorda José Luís Bucho. “Aqui também será determinante ouvir e colocar em prática os conselhos e indicações que as autoridades transmitirem, de modo a facilitar o processo de apoio à população”.
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Setúbal preparada para possível sismo e tsunami

O presidente dos Bombeiros Voluntários de Setúbal e coordenador municipal da Proteção Civil, José Luís Bucho considera “a cidade está preparada para atuar em caso de sismo, de resto, como todos os municípios do país devem estar”, com uma boa coordenação entre entidades, como bombeiros e proteção civil. No entanto recorda, “não podemos esquecer, que nós, operacionais também vamos ser vítimas”. Num primeiro momento “é importante colocar um cenário em que o quartel dos bombeiros possa ruir”. Nesse caso, “a população precisa estar preparada para agir, até que os operacionais consigam colocar-se no terreno”. Por último, “claro, não esquecer que também nós precisamos chegar às nossas famílias logo no momento imediato ao sismo e por vezes não podemos começar logo a atuar enquanto profissionais”.
Em outubro de 2017 durante o simulacro nacional ‘A Terra Tremeu’ realizado também em Setúbal, para assinalar o Dia Internacional para a Redução de Catástrofes, o vereador Carlos Rabaçal, referiu que é essencial “estarmos preparados e sabermos proteger-nos”.
Questionado à época por O Setubalense sobre como a cidade pode responder a um cenário de sismo com tsunami o vereador ponderou que, “nunca ninguém está completamente preparado para responder a uma situação como esta”, sendo que, “o mais complexo do riscos e menos previsível ainda é o sismo”.
Carlos Rabaçal recordou ainda a ação de Setúbal com “um sistema piloto, experimental na Europa, para alerta de tsunami”, instalado em Albarquel. “É deste modo que estamos inseridos no sistema europeu de deteção de tsunamis”.

O Setubalense/ZoomOnline

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