Setúbal unida para ajudar a reconstruir o país depois das chamas

Publicado em Outubro 23, 2017 » Destaques, Segurança, Sociedade, Últimas

‘Portugal contra os incêndios’, foi a ação realizada pelo grupo Caminhada Nocturna reconhecido em Setúbal pelas ações pro-ativas em torno de mais e melhor ambiente, vida saudável e cidadania. Foi com a mensagem “seja a mudança que você quer ver no mundo”, citando as palavras de Dalai Lama, que Paula Ferreira e Cristina Cruz guiaram um momento de união e solidariedde no coração de Setúbal.

Setúbal recebeu uma centena de manifestantes na Praça do Bocage, este sábado, cerca das 16h00, em um momento de comoção que uniou bombeiros, ativistas e população em solidariedade e luto por um país ardido e 108 mortes. O mesmo número de pequenas árvores colocadas na praça para depois serem plantadas na Arrábida. Ato simbólico de continuidade da floresta e da vida.

Uma reunião “sem qualquer intenção ou cor política, apenas pelas vítimas”, defenderam Paula Ferreira e Cristina Cruz, membros da organização. “Organizado para recolher bens alimentares, roupas, utensílios domésticos, ração para animais. Recordar que é preciso fazer algo”.

As ativistas reuniram este grupo em torno de Bocage para “homenagear sobretudo as vítimas do flagelo que atingiu o nosso país nos últimos meses. Homenagear os nossos bombeiros, que mesmo sem meios suficientes combateram as chamas. Homenagear os cidadãos comuns que, com o que tinham, também combateram o fogo”.

Um momento também usado para “mostrar revolta contra os responsáveis por anos de negligência que levaram à tragédia da semana anterior e de quatro meses atrás, em Pedrógão Grande. Sucessivos governos que não tomaram as ações devidas. E uma legislação de ‘mão leve’ para os incendiários. Um SIRESP obsoleto”.

O comandante do Bombeiros Voluntários de Setúbal, João Ferreira, presente com alguns membros da corporação agradeceu a presença e apoio de todos relembrando “os bombeiros e civis que faleceram, vítimas dos incêndios dos últimos meses e os que ainda sofrem por ferimentos ou perda de familiares e amigos. Perda de tudo o que conquistaram ao longo da vida”. Um discurso comovido em que sobretudo lamentou “as dificuldades que nos impedem de chegar”, sem mais palavras possíveis.

A proteção e continuidade enquanto dever de todos
Paula Ferreira defendeu que “cabe também a cada um de nós ajudar a proteger as florestas, as praias e as cidades, mantendo o civismo. Não deixar lixo na florestas, não deitar beatas de cigarro pela janela dos carros. Ajudar a replantar”.

E incentivou “a mobilização e pro-atividade das pessoas”, como “essencial”. Neste contexto foi apresentada uma iniciativa paralela: “replantar Portugal de 15 a 30 de novembro”. Um movimento que está a ser promovido nas redes sociais e no qual o grupo ‘Caminhada Noturna’ também participa. “Se formos passear na serra da Arrábida com olhos atentos vamos ver imenso lixo, desde plásticos a vidros e cabe a nós dar o exemplo às próximas gerações. Não apenas os incendiários que são culpados. Nós também”.

O Setubalense/ZoomOnline

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