Setubalenses protestam contra Arrábida encerrada

Publicado a Junho 11, 2018 » 179 Views» Uncategorized

A cancela à entrada da Praia da Figueirinhas contínua encerrada desde o 31 de maio, data em que teve inicio a época balnear nas praias da Arrábida. A cada dia que passa os setubalenses questionam-se cada vez mais como será possível voltarem a ter acesso à ‘sua Arrábida’. Com consciência e civismo, sim. Mas acesso a circular e rever uma paisagem que faz parte do se quotidiano.
“O estender a toalha na Praça de Bocage foi uma iniciativa que surgiu online. Um pouco por brincadeira da minha parte, quando nas redes sociais as pessoas começaram a perguntar’ então e agora como é que vamos para a praia’ e nesse momento respondi ‘devíamos era ir todos para a Praça de Bocage estender a toalha e fazer praia’. E nesse momento as pessoas começaram a dizer ‘isso era boa ideia’. Foi quando um conjunto de pessoas decidiu associar-se a esta ideia como o Jonas Bonaparte e a Elisabete Cavaleiro”. É deste momo que Vanessa Sequeira apresenta esta iniciativa de estender a toalha de praia e abrir o guarda-sol, mesmo em dia céu cinzento, em plena Praça de Bocage. “Um modo para dar voz às pessoas que estavam a querer expressar a sua opinião e fazê-la chegar a quem de direito mas não conseguiam”.
O movimento de cidadãos esteve presente em algumas sessões de Câmara e organizou um abaixo-assinado, através do qual recolheu 1200 assinaturas. “Mas até hoje não obtivemos qualquer resposta”, confirma.

Uma manifestação independente de cores políticas

“Esta é uma ação que não tem nada a ver com partidos políticos”, reforça Vanessa Sequeira, é somente “uma união de cidadãos em torno de um interesse comum. Da indignação das pessoas. Não é justo. Para os turistas é só chato porque vão ter sempre uma carrinha, um transfer… Mas para os setubalenses as questões são mais profundas”, refere Vanessa.

Soluções…

“As pessoas começaram a vir às sessões de Câmara debater, querem ter voz e ter direito a circular”. Por isso Vanessa centra esta ação de protesto em algumas questões essenciais: “porquê ter estacionamento pago e não aumentar o estacionamento, com uma segunda planta e um jardim de forma ecológica, onde o próprio concessionário de praia se poderia instalar; a circulação de pessoas idosas, algumas não vão à praia há 20 anos, apenas gostam de passar pela estrada de carro em passeio, não querem estacionar”.
Na sua perspectiva tudo isto está a acontecer porque “alguém não se sente com capacidade para gerir o trânsito e quando isso acontece é mais fácil cortar a liberdade de circular às pessoas”. Afinal, contesta, “não há GNR para patrulhar, mas estão três agentes a fiscalizar a cancela”.
A activista deixa claro, “não estamos contra o plano “Arrábida Sem Carros”, pelo contrário concordamos”. No seu parecer “a Arrábida deveria ter o mínimo de carros possível, “mas para o carro tem que ser o meio de transporte menos confortável para as pessoas irem à praia. Se existir um autocarro com valor mais baixo, a 1 ou 2 euros e bermas cicláveis, aí, se calhar, as pessoas vão entender e eleger uma “Arrábida Sem Carros. E há quanto tempo ouvimos essas promessas? Até lá circulamos a pé em estradas sem bermas? Utilizamos transportes com custos elevados?”.

Como se decidiu a melhor opção?

“Acho que é horrível o que estão a fazer porque estão a provar-nos de ir para a Figueirinha, porque Setúbal tem muitas famílias carenciadas que, com dois ou três filhos não podem suportar os custos dos transportes públicos para ir à praia”, afirma Dina Gomes de 73 anos. Quanto aos pormenores do plano “Arrábida Sem Carros” Dina afirma que “não foi esclarecedor, apenas soube do que estava realmente a acontecer através das redes sociais”.Jorge tem 55 anos e assume-se “totalmente contra as proibições, mas também a favor que se cumpra a lei. Considera que cortarem o trânsito num dos sentidos é abusivo. A sinalização só tem que estar feita. Foram feitas obras num sentido e poderiam ter arranjado as bermas e conseguido mais umas centenas de lugares. Proibir não resolve nada. O espaço só tem que ser regulado”.

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Óscar Santos, com 39 anos, tenho uma opinião dividida. “Realmente o incumprimento ali era grande. Enquanto a GNR esteve a pratrulhar o acesso quer no Creiro quer na Figueirinha a situação estava melhor controlada. de há dois anos para cá isso deixou de ser o que d´+a a entender que parece que foi feito de propósito para dar um motivo de cortar a estrada. Oque fazia falta era soluções como ciclovias e transportes mais baratos”, explica, “vamos para a Figueirinha em um autocarro que tem um custo de 4,00 euros e depois se quisermos ir mais adiante temos que esperar por um Vaivém de 9 lugares que não tem capacidade para escoar todas as pessoas”.

“Independentemente dos esclarecimentos que têm surgido por parte da autarquia o que este grupo de manifestantes se questiona é: não haveria outras opções?”. Margarida Marques, de 29 anos, considera que sim. “Nomeadamente a permissão de estacionamento em apenas uma das bermas, o estacionamento que estão agora a requalificar para ser pago também é extremamente caro, principalmente em relação a outras praias. E claro as cancelas, no troço da Figueirinha ao Creio que exigiam um trânsito ordenado e com as autoridades competentes no local. Por totalmente encerrado não é solução”. Para Margarida “a Arrábida tem que ser para todos”.

 

Ana Martins Ventura

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